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sexta-feira, 13 de março de 2015

Ora, Chôô...

Ora, Chôô...
Por Aurelina Haydêe do Carmo

Como toda família cuiabana esta seguia a regra geral. Todos os domingos não podia faltar na mesa, macarrão com galinha, regado ao bem vermelho suculento e ainda por cima aquele queijo que só de lembrar, enche a boca de água.

Hum...como cheirava a comida. Ansiosas de olhos no relógio que ficava em cima da cristaleira, para que andasse bem depressa até chegar meio dia. Era um almoço especial, o arroz de forno ou aquele com molho de carne moída, com muita cebola, banana frita e queijo parmesão (arroz engalanado).

A mesa era muito grande, tinha 10 cadeiras, eram 07 meninas e 01 rapaz, o pai e a mãe. O pai ficava na cabeceira, o rapaz sentava na 1ª cadeira à direita e assim todos ocupavam num segundo seus lugares, ficando a mãe por último, pois ela preocupava em deixar a mesa impecável.

Depois que Ela se assentava, fazia-se a oração agradecendo pelo pão, todos de olhos fechados. Quando terminavam de orar só assim podiam tirar a comida das travessas.
Interessante que daí por diante ninguém podia falar nem um piu, ou seja, silencio total, só se ouvia barulho das talheres e assim mesmo com muita delicadeza.

Um certo dia, uma das meninas, implicada porque o seu irmão era o segundo que tirava a comida e todos os domingos Ele que comia a moela e nunca deixava para os outros. Já haviam combinado secretamente (para o pai e nem a mãe ficar sabendo) para Ele desconfiar e deixar cada domingo para uma, mas nada de desconfiômetro, e não era só isso, ele comia os outros pedaços e outras iguarias e deixava a moela separada para comer por último. Um dia uma das irmãs não aguentou e quebrou o silêncio:

Você não vai querer a moela?

O pai, o grande patriarca, falou em voz alta:

-Ora, Ora, Chôô!!!, olha para o seu prato, larga de ficar olhando pratos dos outros.

O pai e a mãe partiram, não estão mais neste mundo, interessante que a união da família permanece, mesmo morando em cidades, estados e países diferentes estão juntos, costumam encontrar, duas ou três vezes ao ano, comunicam através de telefone e das novas tecnologias. Mas nunca fora esquecida a frase famosa (Ora, Chôô!!!), ela sai, pode ser a festa mais linda, até casamento dos filhos, aniversários de sobrinhos e netos.

O bom é que aquele sorriso que não puderam dar naquele dia ficou guardado e hoje dão gargalhadas ao lembrar e é muito divertido porque passam a história para todos os seus descendentes.
                                  Ora, Chôô!!!

*hoje moelas vende-se por quilo(risos).
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Agora vamos estender o nosso BOM DIA a Cuiabá, Mato Grosso, Brasil e ao Mundo que neste momento esta precisando muito de um BOM DIA. Professora Aurelina Haydee do Carmo

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