terça-feira, 16 de junho de 2015

Ah, se aquela rua fosse minha! ...

Ah, se aquela rua fosse minha! ...

O que é esta saudade que chega de mansinho e traz de volta aquela rua dos bons tempos da meninice, dos meninos levados e meninas comportadinhas  que, mesmo assim, atiravam pau no gato e cantavam histórias tristes do cravo que brigou com a rosa?


Eu, menino conquistador, largava a pandorga, as bolitas, o peão, os botões do futebol de mesa, as pedras das cinco marias, barquinhos de papel, tacos do bate-ombro, só pra ficar olhando vocês e ouvindo que Samba Lelê estava doente, com a cabeça quebrada; e vocês ainda achavam que ele precisava de uma boa lambada... nossa!

Gostava de ouvir aquelas coisas inocentes da Terezinha de Jesus, acudida por três cavalheiros... E eu sonhava ser o terceiro deles. Outras vezes, vocês despertavam minha curiosidade pra saber quem era o personagem escolhido quando cantavam:

"Ai, ai!
Que tem?
Saudades!
De quem?

E ficava frustrado quando não era de mim... Era do cravo, da rosa, da flor de laranjeira...
As vezes, aguçavam meu apetite quando se perguntavam: O que prefere? Uva, Pera, Maçã ou salada mista?

Vontade de me meter na brincadeira e gritar, QUERO TUDO!...
Outras vezes eu ficava contando junto com vocês os ovos da galinha do vizinho, mas vocês ignoravam...

Mas o menino aqui era danado e fazia de tudo pra chamar a atenção de vocês...
Pensei até visitar algumas e só não o fiz por temer que o pai atendesse:

_ "O que quer na minha porta, mando tiro, tiro lá!"
Eu nunca teria coragem de dizer:
_ "Quero uma de vossas filhas, mando tiro, tiro lá!"...
Tentei ser Dolindolê, Pai Francisco, carneirinho, carneirão, propor casamento japonês, passar anel, ficar por último no passa-passa cavaleiro, mas quá!
Pensava:
_ Será que é porque eu sou pobre, pobre, pobre, de marré marré, marré?...
E acabava dizendo a mim mesmo:
_" Vamos dar a meia volta, volta e meia vamos dar!"
Tentei, em vão, oferecer-me escravo de Jó e fazer tudo o que o mestre mandasse, mas a única vez que deixaram, o que ouvi foi "
_"Por isso, seu fulano entre dentro dessa roda, diga um verso bem bonito, dê adeus e vá-se embora!"..."Passa, passa, gavião!"

Antes que me ameaçassem com um chicotinho queimado, eu saia de mansinho e voltava pro meu canto, até a hora de voltar pra casa, tomar banho, dormir e sonhar com aquela rua cheia de meninas que acabaram por marcar minha infância de menino maluquinho.

Ah, se aquela rua fosse minha! ...

Autor: Eddson C Contar
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Agora vamos estender o nosso BOM DIA a Cuiabá, Mato Grosso, Brasil e ao Mundo que neste momento esta precisando muito de um BOM DIA. Professora Aurelina Haydee do Carmo

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