terça-feira, 18 de setembro de 2018

“O que é Trabalho?

O que é Trabalho?

‘Se ninguém me perguntasse, eu saberia; se quero explicar a quem me pergunta, não sei’. Era assim que Agostinho expressava sua dificuldade em definir ‘tempo’. O mesmo parece verdade com ‘trabalho’. Pensamos que sabemos o que é trabalho, mas, quando tentamos pôr em palavras o que pensamos que sabemos o que é trabalho, gaguejamos.

Começarei explicando o que é trabalho destacando algumas coisas. Primeiro, embora muito estrênuo, trabalho não é simplesmente labuta e fadiga, como alguns tendem a pensar, interpretando Gênesis 3 em parte incorretamente. Na verdade, muitos gozam do trabalho que fazem e os que fazem são os melhores trabalhadores. Não seria estranho dizer que os melhores trabalhadores não trabalham? 

Segundo, trabalho não é simplesmente emprego remunerado. Embora a maioria das pessoas nas sociedades industrializadas esteja empregada pela remuneração que percebem, muitos trabalham duro sem receber pagamento. Pegue, por exemplo, as donas de casa (raramente donos de casa) que gastam quase todas as horas em que estão acordadas mantendo uma casa em ordem e criando os filhos. 

Muitas delas com razão se ressentem quando as pessoas insinuam que não trabalham; isto é acrescentar um insulto (‘você não trabalha’) a uma injúria (elas não recebem pagamento).

Precisamos de uma definição abrangente de trabalho, uma que inclua o trabalho desfrutado e o trabalho sofrido, o trabalho remunerado e o trabalho voluntário. Uma definição muito simples de trabalho seria ‘uma atividade que serve para satisfazer as necessidades humanas’: Você prepara uma refeição para ter algo que comer; você digita manuscritos para receber um cheque. Em contraste, o propósito de jogar é jogar: Você joga futebol, porque gosta de jogar futebol; você lê um livro, porque gosta de ler livros. Claro que cozinhar pode ser seu passatempo, então você cozinha, porque você gosta de cozinhar, e encher estômagos vazios é, nesse caso, um benefício colateral. Semelhantemente, jogar futebol (se você é jogador profissional) ou ler livros (se você é aluno ou professor) pode ser seu trabalho; então você joga, porque precisa de dinheiro ou reconhecimento, e lê livros, porque precisa passar nos exames ou preparar uma conferência; a pura diversão de jogar ou ler é, então, uma coincidência feliz. Portanto, trabalhar é uma atividade instrumental: Não é feito para o seu próprio bem, mas para satisfazer necessidades humanas” (VOLF, M. Trabalho in PALMER, M. D. (Ed.) Panorama do Pensamento Cristão. 1 ed., RJ: CPAD, 2001, pp.225-26).
Agora vamos estender o nosso BOM DIA a Cuiabá, Mato Grosso, Brasil e ao Mundo que neste momento esta precisando muito de um BOM DIA. Professora Aurelina Haydee do Carmo

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

O TRABALHO E A METÁFORA DOS ESPINHEIROS (Pv 24.30-34)

O TRABALHO E A METÁFORA DOS ESPINHEIROS (Pv 24.30-34)
1. Trabalho, prosperidade e espiritualidade! Já vimos que o trabalho possui também uma dimensão espiritual (Pv 3.9). Isso vai de encontro àquilo que pensa o senso comum acerca do trabalho. A ideia que ficou associada ao trabalho é a de que ele é algo meramente material e totalmente destituído de valor espiritual. Mas não é assim que pensa o sábio (Pv 24.30). Quando ele viu o campo do preguiçoso totalmente abandonado, cheio de espinheiros, a primeira sensação que teve foi de um “homem falto de entendimento”.
É interessante observarmos que, no hebraico, essa expressão vem carregada de valores espirituais. A palavra hebraica usada para “entendimento” é leb, significando coração, entendimento e mente. A ideia é mostrar o que há no interior do homem — a espiritualidade. Andrew Bowling, especialista em hebraico bíblico, destaca que esse vocábulo é usado para indicar as funções imateriais da personalidade humana. Portanto, o trabalho é algo extremamente espiritual. Ninguém será menos crente porque trabalha, aliás, a verdade é justamente o contrário (Ef 4.28; 2Ts 3.10)!
2. Trabalho, ócio e lazer! A análise do sábio sobre a inércia do preguiçoso, que favoreceu o nascimento de espinheiros dentro da plantação, é uma forma de ironizar o ócio dele (Pv 24.33,34). Não dá para prosperar mantendo-se de braços cruzados, e muito menos ficando eternamente em repouso! É preciso se mexer. Todavia, esse é apenas um aspecto da questão, pois quem trabalha precisa de descanso e também de lazer! Deus criou o princípio do descanso semanal (Gn 2.2). Precisamos, inclusive, de tempo livre para estarmos a sós com Deus e com a nossa família.
Pesquisado por Aurelina in LBD 4T 2013
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terça-feira, 11 de setembro de 2018

A METÁFORA DO LEÃO (Pv 22.13; 26.13)

A METÁFORA DO LEÃO (Pv 22.13; 26.13)
1. Conhecendo o leão. A metáfora do leão se encontra em duas passagens do livro de Provérbios (22.13 e 26.13). Há uma pequena variante nesses provérbios, mas o sentido é o mesmo — o preguiçoso sempre arranja uma desculpa para fugir do trabalho! Ora o leão está “lá fora”, ora está “no caminho” e ora está “nas ruas!”. O leão é o mais forte dos animais, e a sua presença causa medo. O fato de o preguiçoso ver o trabalho como um leão significa que ele o encara como uma realidade difícil de ser enfrentada. Tem medo do trabalho, assim como tem medo do leão! É desnecessário dizer que essa é uma visão completamente equivocada do labor.
2. Matando o leão. Há alguns provérbios populares que expressam um sentido semelhante aos provérbios estudados acima. Por exemplo: “a vida é dura para quem é mole”; “matando um leão por dia”. Tais ditos populares revelam que a vida pode ser difícil, dura, mas tem de ser enfrentada.
Não adianta ficar com medo do leão! O pastor Matthew Henry observa que esse “leão” é fruto da imaginação do preguiçoso e só serve para reforçar a sua inércia. Se há um leão lá fora, é o leão do qual falou o apóstolo Pedro, e ele está rugindo em busca de quem possa devorar (1Pe 5.8). O preguiçoso será a sua principal presa!
  • A metáfora do leão torna-se fruto da imaginação do homem, quando este busca um álibi para reforçar a sua inércia.
Pesquisado por Aurelina in LBD 4T 2013

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sábado, 8 de setembro de 2018

A METÁFORA DA FORMIGA (Pv 6.6-11)

A METÁFORA DA FORMIGA (Pv 6.6-11)
1. As formigas sabem poupar. Na metáfora da formiga, o sábio nos exorta a tomarmos uma atitude prudente diante da realidade da vida: “Vai ter com a formiga”. A palavra hebraica usada aqui é yalak, e possui o sentido de “mover-se”, tomar uma atitude na vida (Pv 6.6)! Até os insetos podem nos dar lições sobre o trabalho! Mas não é apenas isso que aprendemos com as formigas. Ainda em Provérbios, o sábio Agur invoca o exemplo desses pequenos insetos (Pv 30.25). As formigas possuem uma noção sofisticada de trabalho — “no verão [elas] preparam a sua comida”. Isto é, as formigas sabem poupar! Elas não apenas trabalham, mas também poupam. O cristão deve aprender igualmente a poupar recursos para eventualidades futuras.
2. As formigas sabem ser autônomas. O texto de Provérbios diz que a formiga, mesmo “não tendo superior, nem oficial, nem dominador, prepara no verão o seu pão; na sega ajunta o seu mantimento” (Pv 6.7,8).
As formigas também são responsáveis e trabalham sem serem vigiadas. O erudito Derek Kidner observa o contraste entre elas e o preguiçoso, quando informa que a formiga não precisa de fiscal, enquanto o preguiçoso precisa ser advertido o tempo todo. A formiga discerne os tempos, o preguiçoso não! 
  • Na metáfora da formiga o sábio nos exorta a tomarmos uma atitude prudente diante da realidade da vida: trabalhar.
Pesquisado por Aurelina in LBD 4T 2013
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quinta-feira, 6 de setembro de 2018

A METÁFORA DO CELEIRO E DO LAGAR (Pv 3.9,10)

A METÁFORA DO CELEIRO E DO LAGAR (Pv 3.9,10)
1. A dádiva que faz prosperar. Em Provérbios 3.9,10, está escrito que devemos honrar ao Senhor com nossas posses e com o melhor de nossa renda. Tal atitude, segundo o sábio, fará com que os nossos “celeiros” se encham abundantemente e que trasbordem de mosto os nossos “lagares”. O celeiro e o lagar transbordantes são metáforas que representam uma vida abundante! O celeiro, tradução do hebraico asam, é o lugar onde se deposita a produção de grãos. Quando transbordava era sinal de casa farta! Vemos isso nas bênçãos decorrentes da obediência (Dt 28.8). Mas o conselho do sábio mostra que isso só é possível quando há generosidade em fazermos a vontade de Deus.
2. A bênção que enriquece. No mesmo texto, Salomão fala dos bens e da renda adquiridos como fruto do trabalho. Mas a verdadeira prosperidade não vem apenas de nosso esforço, mas principalmente do resultado direto da bênção do Senhor. É exatamente isso o que diz o sábio em Provérbios 10.22.
O celeiro e o lagar somente se encherão e trasbordarão quando a bênção de Deus estiver neles. É a bênção divina que faz a distinção entre ter posses e ser verdadeiramente próspero, pois é possível ser rico, mas não ser feliz. A prosperidade integral só é possível com a presença de Deus em nossa vida.
Pesquisado por Aurelina in LBD 4T 2013
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sexta-feira, 31 de agosto de 2018

O valor dos bons conselhos

O valor dos bons conselhos

O temor do Senhor é o princípio da ciência; os loucos desprezam a sabedoria e a instrução (Pv 1.7).

Lembro-me dos ditados populares que ouvia dos meus pais: “Águas passadas não movem moinhos”; “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura”; “Quem espera sempre alcança”, e muitos outros. Essas pequenas expressões contêm conselhos de uma cultura popular impregnada de valores éticos, morais e sociais, que acabam por dirigir as regras da vida em sociedade.
Mais do que qualquer outra fonte, a Bíblia está recheada dessas pérolas. São bons conselhos que revelam a sabedoria divina. Tais máximas bíblicas são expressas em linguagem figurada, das mais variadas formas (parábolas, fábulas, enigmas e provérbios).


Provérbios: A expressão é de difícil definição, mas suas características são singulares: a) concisão; b) sagacidade; c) forma memorável; d) base na experiência; e) verdade universal; f) objetivo prático e longo uso. Quase sempre, o provérbio é descrito como poético ou rítmico, com metáforas sucintas, vivazes, convincentes e admiráveis.

Pesquisado por Aurelina in LB 4ª 2013. 
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terça-feira, 28 de agosto de 2018

Pastel de feira

Pastel de feira. (Dia 25 de Agosto - dia do feirante)
Poesia Autoral: Aurelina Haydêe do Carmo


Pastel de feira,
De carne, de queijo.
Crocante,
Gosto de BEIJO.

De palmito ou de vento.
Tanto faz,
Sentada ao relento.
Quarta-feira
Tem feirinha no POÇÃO.

Aqui fica de coração,
Oportunidade:
Noites refrescantes,
Num ponto da cidade.
Água na boca,
Vou levando minha porção.
*Poesia Autoral: Aurelina Haydêe do Carmo

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sábado, 18 de agosto de 2018

Minha Filosofia (16 de Agosto dia do Filósofo)

Minha Filosofia (16 de Agosto dia do Filósofo)


Perguntaram-me um dia, estranhamente, 
Se a minha vida é toda de alegria, 
Se a tristeza, afinal, eu conhecia, 
Eu que trago um sorriso permanente.


Este estado perene de euforia 
Em que vive a minh’alma eternamente, 
fruto sazonado e transcendente, 
Da minha natural filosofia.

Como o áureo metal sobre o crisol, 
A tristeza é quinhão de todo humano, 
E querer não sofrê-la é puro engano.

Para todos o sorriso, como o sol, 
Mantenho da alegria a luz acesa,(...).
 
*Desconheço a autoria*


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terça-feira, 14 de agosto de 2018

UMA HISTÓRIA de AMOR à CUIABÁ

UMA HISTÓRIA de AMOR à CUIABÁ
relato escrito por Aurelina Haydêe do Carmo

CUIABÁ de antigamente, não muito tempo atrás, segundo o calendário histórico, a nossa capital era dividida em: Cidade e Porto. Portanto, até hoje, nós do Porto (bairro), somos identificados como “gente do Porto”.

No Porto dentre muitos comércios que se estendiam ao longo da larga Avenida 15 de Novembro, destacava a CASA MERCÚRIO de URBANO do CARMO ( meu pai).

Este era um habilidoso comerciante, prendado na arte de fazer sapatos.  Daí o primeiro nome de sua loja, SAPATARIA MERCÚRIO, que na verdade era uma indústria onde naquela época (na metade do século passado), este comerciante empregava diversos trabalhadores e aprendizes.


Ser comerciante já estava no seu sangue. Sua carreira começou bem cedo. Em 1926 foi aprendiz de sapateiro de um espanhol, com quem também aprendeu a falar corretamente a língua espanhola.

Serviu o exército de 1929 à 1932. Casou-se com Erothildes  Haydêe  Albuês em 1941, ela filha de tradicional família cuiabana. Desta união adveio 08
filhos, dos quais 06 cursaram Nível Superior.

Período de 1932 à 1945, residiu em Poxoréu-MT( época do garimpo de diamante), onde em contato com índios isolados aprendeu a língua BORORO.
De 1945 à 1949 - trabalhou como Funcionário Público Federal em uma Base de Apoio do Ministério da Aeronáutica em Rondonópolis-MT, logo transferido para BASE AÉREA de Campo Grande/MT (hoje capital de Mato Grosso do Sul).

Devido a sua dedicação recebeu ordens para ser transferido para o Rio de Janeiro para integrar a equipe de Criação do aeroporto do GALEÃO (hoje AEROPORTO INTERNACIONAL TOM JOBIM).

Este cuiabano, nascido na antiga Rua da Caridade (hoje Av.Gen.Valle), não titubeou, entre o Rio de Janeiro (na época Estado da Guanabara), preferiu fazer o pedido de exoneração e voltar a cidade do seu nascimento. Lembrara que aqui em Cuiabá- MT, poderia educar seus filhos e concretizar seu sonho - Fundar um grande comércio, e assim o fez.

Era um homem empreendedor: Acionista de vários empreendimentos; Iniciou sua carreira - Sapataria Mercúrio. Montou um Comércio de Calçados e Materiais para Sapateiros e Artigos para Montarias e Esportes.

Transferiu seu comércio no endereço de sua propriedade, sito a Av. XV de Novembro (Porto) com o nome de CASA MERCÚRIO.

Aposenta-se por tempo de Serviço.
Era exímio cantor, no coral da igreja que frequentava dominava o naipe Tenor, com muita mestria.

Hoje fico muito feliz e de certa forma envaidecida em ver comentários dos seus feitos nas redes sociais - Whatsapp, Facebook, Instagram, etc - um dos homens de destaque da Cuiabá de Antigamente.
Fico emocionada com os relatos...

Quem lembra da SAPATARIA MERCÚRIO?
Quem calçou sapato colegial de pelica, comprado na Casa Mercúrio? E assim vai... Muitas recordações e muitíssima saudade!

Em minhas viagens pelo Pantanal encontro filhos de antigos fazendeiros com saudades da Casa Mercúrio, onde compravam artigos de montaria, botas de couro curtido (e que nem percorrendo as áreas alagadiças e corixos o couro desbotava).

O peão calçava as botas e varavam anos, sem defeito, só trocava por causa do desgaste do tempo.

Descanse em PAZ - Urbano do Carmo(meu amado pai!), seu corpo foi sepultado no Cemitério do Porto, num Jazigo privilegiado, bem ao lado da Capela. Você cumpriu com grande zelo o seu papel de Homem trabalhador e lutador, cooperando para o progresso da nossa tricentenária Cuiabá.

Esposo exemplar, pai, religioso, educador, amigo, mestre - este último apelido carinhoso dado pelos seus vizinhos que eram Cirurgião Dentistas, Médicos, Farmacêuticos e comerciantes do outro lado da cidade.

Dotado de um conhecimento e carisma impar, sua casa constantemente era visitada por políticos de todos os partidos, sacerdotes católicos, missionários evangélicos, espiritas, estudantes do projeto Rondon vindos de diversos Estados brasileiros e pesquisadores de Universidades principalmente de São Paulo que vinham entrevistá-lo com o objetivo de estudar o nosso Estado. Urbano do Carmo era um desbravador, dizia ele: “Conheço o sertão de Mato Grosso, palmo a palmo”.

Nas suas férias adentrava no sertão de Mato Grosso, e sempre voltava a cidade de Campo Grande. Gostava muito de Goiânia – GO, cidade na qual ele conquistou muitas amizades, duas de suas filhas se formaram na Faculdade de lá.

Apreciava viajar para São Paulo e Rio de Janeiro em companhia de sua esposa e trazia presentes para seus filhos.
Recebeu da Prefeitura Municipal de Cuiabá, um Diploma de HONRA ao MÉRITO “Luis Philippe Pereira Leite, pelos relevantes serviços prestados à Cuiabá.

O seu trabalho, a sua luta e a sua dedicação sempre deve ser respeitados, lembrados e valorizados. Devemos reconhecer e agradecer por tudo que ele fez em prol a nossa Capital.

Seu nome também será lembrado, pois em sua homenagem foi colocado seu nome em uma das principais avenidas do Assentamento Gamaliel.

Por unanimidade seu nome foi eleito para nomear a Biblioteca da (Convenção dos Ministros da Assembleia de Deus de Mato Grosso COMADEMAT- PATRIARCA * URBANO DO CARMO.

A frase mais emocionante que escutei do meu pai foi no dia da Colação de Grau da nossa caçulinha (no Curso de Engenharia).  O REITOR estava na porta do ginásio de esporte, esperando os formandos para os cumprimentos quando meu pai adentrou a multidão e deu um abraço muito emocionado nele e disse: “Reitor, hoje estou muito feliz, a Universidade me dá o mais belo presente: Saí formada minha caçula, e entra no 1ª ano meu primeiro neto”.  Ficaram por minutos conversando.
Meu pai estava muito feliz e realizado! Belos tempos...

Pena que hoje ninguém tem mais tempo para flagrar momentos como esses! Não existia celular, mas o flash ficou gravado na minha memória e não tive como esconder uma lágrima ao ouvir tão profunda frase, jamais olvidada por mim, naquela noite de gala, em que meu pai quebrou o protocolo, para expressar sua emoção ao Reitor e a todos que estavam presentes.

A Família CARMO, agradece os cuiabanos e os que aqui chegaram pelo reconhecimento dos trabalhos prestados por URBANO do CARMO à nossa CUIABÁ.
relato escrito por Aurelina Haydêe do Carmo.


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sexta-feira, 10 de agosto de 2018

FUGA

FUGA
Mal o pai colocou o papel na máquina, o menino começou a empurrar uma cadeira pela sala, fazendo um barulho infernal.
 – Para com esse barulho, meu filho – falou, sem se voltar.
Com três anos já sabia reagir como homem ao impacto das grandes injustiças paternas; não estava fazendo barulho, estava só empurrando uma cadeira.
– Pois então para de empurrar a cadeira.
– Eu vou embora – foi a resposta.
Distraído, o pai não reparou que ele juntava ação às palavras, no ato de juntar do chão suas coisinhas, enrolando-as num pedaço de pano. Era a sua bagagem: um caminhão de plástico com apenas três rodas, um resto de biscoito, uma chave (onde diabo meteram a chave da despensa? – a mãe mais tarde irá dizer), metade de uma tesourinha enferrujada, sua única arma para a grande aventura, um botão amarrado num barbante.
A calma que baixou na sala era vagamente inquietante. De repente, o pai olhou ao redor e não viu o menino. Deu com a porta da rua aberta, correu até o portão.
– Viu um menino saindo desta casa? Gritou para o operário que descansava diante da obra do outro lado da rua, sentado no meio-fio.
– Saiu agora mesmo com uma trouxinha – informou ele.
Correu até a esquina e teve tempo de vê-lo ao longe, caminhando cabisbaixo ao longo do muro. A trouxa, arrastada no chão, ia deixando pelo caminho alguns de seus pertences: o botão, o pedaço de bis­coito e – saíra de casa prevenido – uma moeda de 1 cruzeiro. Chamou-o, mas ele apertou o passinho, abriu a correr em direção à Avenida, como disposto a atirar-se diante do ônibus que surgia à distância.
– Meu filho, cuidado!
O ônibus deu uma freada brusca, uma guinada para a esquerda, os pneus cantaram no asfalto. O menino, assustado, arrepiou carreira. O pai precipitou-se e o arrebanhou com o braço como a um ani­malzinho:
– Que susto você me passou, meu filho – e apertava-o contra o peito, comovido.
– Deixa eu descer, papai. Você está me machucando. Irresoluto, o pai pensava agora se não seria o caso de lhe dar umas palmadas:
– Machucando, é? Fazer uma coisa dessas com seu pai.
– Me larga. Eu quero ir embora.
Trouxe-o para casa e o largou novamente na sala – tendo antes o cuidado de fechar a porta da rua e retirar a chave, como ele fizera com a da despensa.
– Fique aí quietinho, está ouvindo? Papai está trabalhando.
– Fico, mas vou empurrar está cadeira.
E o barulho recomeçou.


**SABINO, Fernando. Fuga. In: Para gostar de ler. V. 2 Crônicas. São Paulo: Ática, 1995. p. 18-19.

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terça-feira, 7 de agosto de 2018

Menino

Menino

Menino, vem pra dentro, olha o sereno! Vai lavar essa mão. Já escovou os dentes? Toma a benção a seu pai. Já pra cama!

Onde aprendeu isso menino? – coisa mais feia. Toma modos. Hoje você fica sem sobremesa. Onde é que você estava? Agora chega, menino, tenha santa paciência.

De quem você gosta mais, do papai ou da mamãe? Isso, assim que eu gosto: menino educado, obediente. Está vendo? É só a gente falar. Desce daí, menino! Me prega cada susto...para com isso! Joga isso fora. Uma boa surra dava jeito nisso. Que é que você andou arranjando? Quem te ensinou esses modos? Passe pra dentro. Isso não é gente para ficar andando com você.

Avise seu pai que o jantar tá na mesa. Você prometeu, tem de cumprir. Que é que você vai ser quando crescer? Não, chega: você já repetiu duas vezes. Por que você está quieto aí? Alguma coisa está tramando...não anda descalço, já disse! – vai calçar o sapato. Já tomou remédio? Tem de comer tudo, você tá virando um palito. Quantas vezes já te disse para não mexer aqui? Esse barulho, menino! – teu pai tá dormindo. Para com essa correria dentro de casa, vai brincar lá fora. Você vai acabar caindo daí. Pede licença a seu pai primeiro. Isso é maneira de responder à sua irmã? Se não fizer, fica de castigo. Segura o garfo direito. Põe a camisa pra dentro da calça. Fica perguntando, tudo você quer saber! Isso é conversa de gente grande. Depois eu te dou. Depois eu deixo. Depois eu te levo. Depois eu conto. Agora não, depois!

Deixa seu pai descansar – ele está cansado, trabalhou o dia todo. Você precisa ser muito bonzinho com ele, meu filho. Ele gosta tanto de você. Tudo que ele faz é para seu bem. Olha aí, vestiu essa roupa agorinha mesmo, já está toda suja. Fez seus deveres? Você vai chegar atrasado. Chora não filhinho, mamãe está aqui com você. Nosso Senhor não vai deixar doer mais.

Quando você for grande, você também vai poder. Já disse que não, e não, e não! Ah, é assim? – pois você vai ver só quando seu pai chegar. Não fale de boca cheia. Junta a comida no meio do prato. Por causa disso é preciso gritar? Seja homem. Você ainda é muito pequeno pra saber essas coisas. Mamãe tem muito orgulho de você. Cale essa boca! Você precisa cortar esse cabelo.

Sorvete não pode, você tá resfriado. Não sei como você tem coragem de fazer assim com sua mãe. Se você comer agora, depois não janta. Assim você se machuca. Deixa de fita. Um menino desse tamanho, que é que os outros hão de dizer? Você queria que fizessem o mesmo com você? Continua assim que eu te dou umas palmadas. Pensa que a gente tem dinheiro pra jogar fora? Toma juízo menino!


Ganhou agora mesmo e já acabou de quebrar. Que é que você vai querer no dia de seus anos? Agora não, depois, tenho mais o que fazer. Não fica triste não, depois mamãe te dá outro. Você teve saudades de mim? Vou contar só mais uma, tá na hora de dormir. Vem que a mamãe te leva pra caminha. Mamãe te ama, viu! Dá um beijo aqui. Dorme com Deus meu filho!

**Fernando Sabino, do livro "A mulher do vizinho" Rio de Janeiro - Editora do Autor

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sexta-feira, 3 de agosto de 2018

EU NÃO O CONHECI

Leia com atenção este belo texto de memórias. Ele nos faz refletir sobre a nossa vida e sobre o tempo que ocupamos em todas as nossas atividades.

EU NÃO O CONHECI
Texto de Oswaldo França Júnior. Do livro "As laranjas Iguais". Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1985.

Meu filho foi embora e eu não o conheci. Acostumei-me com ele e me esqueci de conhecê-lo. Agora que sua ausência me pesa, é que vejo como era necessário tê-lo conhecido. 


Lembro-me dele. Lembro-me bem em poucas ocasiões.


Um dia, na sala, ele me puxou e a barra do paletó e me fez examinar seu pequeno dedo machucado. Foi um exame rápido.


Uma outra vez me pediu que lhe consertasse um brinquedo velho. Eu estava com pressa e não consertei. Mas lhe comprei um brinquedo novo.


Na noite seguinte, quando entrei em casa, ele estava deitado no tapete, dormindo e abraçado ao brinquedo velho. O novo estava a um canto. 


Eu tinha um filho e agora não o tenho mais porque ele foi embora. E este meu filho, uma noite, me chamou e disse: 


- Fica comigo. Só um pouquinho, pai! 
Sou um homem muito ocupado. Mas meu filho foi embora. Foi embora e eu não o conheci.

Autor: Oswaldo França Júnior. As laranjas Iguais. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1985.

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sexta-feira, 27 de julho de 2018

O trânsito

O trânsito - Dia do Motociclista -27 de julho
Conto por Aurelina Haydêe do Carmo

Enquanto esperava as horas passar, aproveitando o tempo, estacionou o carro e começa a sentir aquela exuberante manhã de sol e de esplendor.

Que estação linda! Clima impecável, o suave vento balançando as folhas das arvores e o gorjeio dos pássaros, quando sua atenção foi despertada para uma sirene, no início achou que era uma ambulância, ficou transtornada, alguém teria sido atropelado e viu que apressadamente o veículo pedia passagem.

Quem será? Algum amigo? Conhecido?  Homem? Mulher? Adolescente? Criança? Muitos que transitam por ali são conhecidos de longas datas.

Não importa era um ser humano. Quanta tragédia, quantos planos adiados ou talvez nunca mais resolvidos.

Estava tão transtornada, quando alguém bateu no vidro do carro e disse:
- Senhora o seu serviço esta pronto.

Ah, eu até esqueci de contar porque ela estava ali - Estacionamento de uma Universidade Federal que ostenta várias câmeras, lugar seguro.

Como o seu serviço já estava pago, abriu o porta-malas do carro e agradeceu o portador.

Voltou para casa, pegou a grande Avenida, mas aquela linda manhã que prometia descanso, foi tumultuada, o ocorrido não saía da sua memoria. Voltou pensando:

- Quem seria aquele ente que estava sendo transportado a um hospital de emergência?


Ainda com o pescoço meio duro, olhou para traz e a multidão ainda se aglomerava, pensou: fatos como esse acontecem de minuto a minuto nas grandes e pequenas cidades do nosso Brasil. Quando será que as pessoas vão acabar com a correria e ter mais paciência no TRÂNSITO?
Conto por Aurelina Haydêe do Carmo

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terça-feira, 17 de julho de 2018

O VALOR do HOMEM- 15 de julho- DIA do HOMEM-

O VALOR do HOMEM- 15 de julho- DIA do HOMEM-

O VALOR do HOMEM-  15 de julho- DIA do HOMEM-

“Ora, quanto mais vale um homem do que uma ovelha! Mateus 12.v12a.

“No período da escravidão, o homem negro valia na razão direta de sua produtividade, projetada pela rigidez de seus músculos, vigor da juventude, dentes sadios, força, tamanho, saúde.

Alguns conceitos de Educação valorizam o homem pela capacidade de ser útil ao Estado. O homem vale pela sua destreza, sua habilidade de manejar armas para defender a nação.

Outros valorizam o homem pela tradição familiar, pelo poder econômico, pela sua cultura. Estamos sempre medindo, pesando, valorizando as pessoas...”
Com estas palavras queremos perguntar: quanto vale o homem que esta diante de você?

Ah! se pudéssemos atribuir valores às imagens que seus olhos gravaram, pesar o produto de suas orações, de suas bondades e conselhos!...
Se pudéssemos quilometrar os seus passos à procura da conquista de vitórias! Se pudéssemos medir o alcance de sua voz, para construir um mundo melhor!

Que valor daríamos? Não é possível medir quantitativamente a vida de ninguém. A verdadeira medida se revela nos frutos: pelos seus frutos os conhecereis...”
Quanto vale um homem que se dedica inteiramente a DEUS?

Você vale muito.
Manancial 2T94
Agora vamos estender o nosso BOM DIA a Cuiabá, Mato Grosso, Brasil e ao Mundo que neste momento esta precisando muito de um BOM DIA. Professora Aurelina Haydee do Carmo

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Especialista em Madeira

Dia do Engenheiro Florestal - (12 de Julho)

Especialista em Madeira
Conto por Aurelina Haydêe do Carmo

Uma amiga ligou contando de uma palestra que ela presenciara.
O palestrante dizia que todos nós somos como uma madeira.
Ele discorreu sobre a utilidade  e a importância de certas madeiras.
Então fez a pergunta para que cada participante imaginasse como se fosse uma madeira e assim viajou em suas ideias mirabolantes.

Ela ligou só para saber.
- Amiga! Imagina que você é uma madeira: Que madeira você acha que é?
Sem titubear respondi: CERNE, na hora lembrei da brincadeira de criança:
                   QUE PÁU QUE É ESTE ?
Todas as crianças gostaria de ser CERNE -PÁU QUE INVERGA ,MAS NÃO QUEBRA.

Ela indagou – me: Por que você acha que é CERNE?
Respondi: Eu sou aquele navio que encontrou muitas tempestades em alto mar, mas... cheguei ao porto, sã e salva. Acho que  o navio era de CERNE. Rimos bastante da nossa conversa. Desligamos  o telefone e eu fui terminar de fazer um bolo, ainda bem que não tinha colocado o fermento.

Fiquei pensando no CERNE.
Que serventia tem um CERNE?
“ Como estava fazendo o bolo, mas que depressa peguei o meu “AURÉLIO” (dicionário da Língua Portuguesa). Se eu ligasse o computador – babau bolo...

Vamos ao dicionário:
CERNE – Parte do lenho das árvores, no centro do tronco, formada de células mortas e substâncias nutritivas de reserva;  âmago.
Depois pesquisando sobre a madeira que achei que era,  ví que é o nº de CERNES que identifica a idade de uma árvore.

CERNE é ainda, no sentido figurado, o indivíduo que apesar de idoso se encontra forte e robusto ( é o meu caso) risos. Mas é verdade, acreditem...

Pesquisando mais a fundo descobri que as madeiras de lei apresentam dureza alta, pois provem de árvores mais longevas, com o CERNE bastante desenvolvido.

Concluindo: acho que já dei uma boa aula de CERNE.
Sob o aspecto comercial, entretanto, a madeira propriamente dita é somente o CERNE, em virtude das suas qualidades de resistência, durabilidade e beleza.

Comecei a enumerar as madeiras mais conhecidas – Andiroba,  Aroeira , Angelim, Cedro, Cedrinho, Cerejeira , Cumarú,  Faeira, Freijó, Goiabão, Imbuia, Ipê, Páu-d’arco, Peroba, Pinho, Sucupira, Macacaúba, Mogno, Pau – amarelo, Jacarandá, Maçaranduba etc...

Depois de muitas pesquisas sobre madeira, caí na real.
Será que estava preparando para uma “Tese de Doutorado” ou vou montar uma madeireira?


Uma coisa eu sei, sem muito esforço, virei uma Especialista em Madeira.
 Conto por Aurelina Haydêe do Carmo
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terça-feira, 10 de julho de 2018

Arroz sem sal - 10 de Julho - Dia da Pizza

10 de Julho - Dia da Pizza
Arroz sem sal
Conto por Aurelina Haydêe do Carmo

O encontro era numa pizzaria muito elegante da cidade- aniversário de uma amiga. Estava muito divertida a noite.
Cada um pedia o que queria, pois o objetivo era ir lá e abraçar a nossa amiga pelo seu aniversário. Então, pedi uma pizza média, meio a meio.
O garçom nada falou. Quando o pedido chegou, percebi que era uma grande e não uma média.
Ele delicadamente explicou que a media não dividia por isso que veio a grande. Caiu a ficha. Tudo bem, qual não foi a surpresa – estava salgada, por demais. Então, pensei... viemos divertir. Tapeei um pouco.

O conjunto fez um silêncio e o cantor começou a cantar um emocionante “PARABÉNS PRA VOCÊ”.

Sem ninguém perceber chamei o garçom e pedi que ele embalasse a pizza para viagem.
Lá vem ele, com uma linda embalagem, desfilando entre as mesas e aos olhares de todos. Pois a caixa que trazia o conteúdo, era muito bonita de um colorido bem chamativo, fazia propaganda de outro produto que ninguém resistia, mas já estavam satisfeitos(barriga é pequena) risos.

Engraçado que a caixa foi passando de mão em mão e todos perguntavam como eu vi aquela guloseima.
Mantive o suspense, pois ninguém ousou a abrir a caixa (povo educado).
O dono ou o gerente, não sei, muito gentil, agradeceu e disse:      - Volte sempre. Abri um largo sorriso e disse que estava tudo maravilhoso.


No estacionamento bem baixinho contei o segredo. Fui premiada “derrubaram o pacote de sal na minha pizza”. Vou leva-la e comer amanhã com ARROZ sem SAL.
Conto por Aurelina Haydêe do Carmo


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sexta-feira, 6 de julho de 2018

08 de Julho - Dia mundial da alegria

08 de Julho - Dia mundial da alegria

A arte de ser feliz

Houve um tempo em que minha janela se abria
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde,
e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Ás vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

Cecília Meireles
  
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